BTG Pactual assina acordo para comprar Banco Digimais, de Edir Macedo

Transação do banco 100% digital depende agora de leilão do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); entenda o que muda com a possível aquisição.

BTG Pactual assina acordo para comprar Banco Digimais, de Edir Macedo

O cenário bancário brasileiro registrou uma movimentação de peso nesta semana com o anúncio do acordo entre o BTG Pactual e o Banco Digimais. A instituição liderada pelo banqueiro André Esteves assinou uma oferta inicial para a aquisição do banco 100% digital, que atualmente é controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. A operação, que já vinha sendo ventilada nos bastidores do mercado financeiro desde março, entra agora em uma fase técnica decisiva que envolve órgãos reguladores e de garantia.

Apesar da assinatura do acordo, o desfecho da compra ainda não é imediato e depende de uma estrutura complexa de liquidez. O processo deve ser facilitado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que atua como uma espécie de "seguro" do sistema bancário. A expectativa é que o FGC conceda um empréstimo para viabilizar a transação, garantindo que a transição de controle acionário ocorra sem riscos para os correntistas e mantendo a estabilidade financeira da instituição digital, que possui uma base sólida de clientes ligados ao ecossistema da IURD e da Record.

De acordo com as regras de governança do setor, a assinatura entre BTG e Digimais funciona como uma "proposta de referência". Por envolver recursos ou auxílio do FGC, a instituição deve convocar um leilão nos próximos meses. Esse procedimento é padrão e serve para que outros eventuais interessados no banco digital possam apresentar contrapropostas. Caso nenhuma oferta superior surja no leilão, o BTG Pactual consolida a compra, expandindo ainda mais sua presença no varejo digital, setor onde tem investido agressivamente nos últimos anos.

O Banco Digimais, criado originalmente como Banco Renner antes de ser adquirido por Edir Macedo, passou por uma transformação completa para se tornar uma plataforma totalmente digital. Sob o controle do bispo, o banco serviu como peça estratégica no fluxo financeiro de suas organizações, mas enfrentava o desafio de escala que o BTG, com sua robusta infraestrutura tecnológica e de investimentos, pode oferecer. Para o BTG, a aquisição representa a absorção de uma base de usuários ativa e a oportunidade de cruzar dados para oferecer serviços de crédito e corretagem.

O mercado financeiro agora aguarda os próximos passos do FGC e o edital do leilão. Especialistas apontam que a movimentação reforça a tendência de consolidação dos bancos digitais no Brasil, onde grandes instituições tradicionais ou de investimento buscam absorver players menores para ganhar mercado rapidamente. Se concretizada, a venda marca a saída formal de Edir Macedo do controle direto de uma instituição bancária, embora o impacto da transação deva ser sentido em todo o ecossistema de negócios do grupo nos próximos meses.


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