Polícia Federal deflagra Operação Turbid River em Terras Indígenas de Rondônia
Ação conjunta com Ibama e Força Nacional destrói infraestrutura ilegal e apreende maquinário pesado nas reservas Roosevelt e Parque do Aripuanã.
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Turbid River, uma ofensiva estratégica para desarticular frentes de garimpo ilegal e crimes ambientais no sul de Rondônia. A operação teve como foco as Terras Indígenas Roosevelt e o Parque do Aripuanã, áreas que sofrem pressão constante de exploradores de minérios e madeira. A ação contou com um forte aparato de cooperação, envolvendo o Ibama, a Força Nacional e o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI-Amazônia), reforçando o cerco contra crimes transfronteiriços na região amazônica.
Ao todo, 28 policiais federais e agentes ambientais participaram da incursão, que resultou na desmobilização de diversos acampamentos clandestinos utilizados como base para a extração ilícita. Durante a operação, as equipes realizaram a inutilização e apreensão de um arsenal de equipamentos de alto valor, incluindo pás carregadeiras, motores de sucção, geradores de energia e grandes estoques de combustível. Além do maquinário, foram apreendidos aparelhos de comunicação via satélite e celulares, que serão utilizados para identificar os financiadores do esquema.
Um dos pontos altos da Operação Turbid River foi a destruição de uma ponte ilegal construída estrategicamente por madeireiros e garimpeiros dentro da reserva. Essa estrutura era o principal ponto de escoamento de recursos naturais extraídos ilegalmente e servia como acesso facilitado para veículos pesados às áreas mais profundas e preservadas das terras indígenas. A inutilização da ponte visa interromper o fluxo logístico do crime ambiental na região, dificultando o retorno imediato das atividades predatórias.
As áreas visadas, especialmente a Terra Indígena Roosevelt, são conhecidas internacionalmente pela sua biodiversidade e pela presença de recursos minerais valiosos, o que as torna alvos frequentes de invasões. A exploração desenfreada tem causado impactos ambientais severos, como o assoreamento de rios e a contaminação do solo por mercúrio, além de gerar conflitos sociais que ameaçam a integridade das comunidades indígenas locais. A Polícia Federal destacou que a operação é parte de um cronograma contínuo de preservação do patrimônio da União e dos direitos dos povos originários.
Com o encerramento desta fase da operação, os materiais apreendidos foram encaminhados para a delegacia da Polícia Federal em Vilhena, onde servirão de prova para os inquéritos policiais em curso. A PF reforça que o combate ao garimpo ilegal em Rondônia segue como uma das prioridades de 2026, com o apoio de tecnologias de monitoramento via satélite que permitem identificar novos focos de desmatamento em tempo real. O nome da operação, "Turbid River" (Rio Turvo), faz referência direta à poluição das águas causada pelo revolvimento da terra nas atividades de mineração ilegal.